Durante muitos anos, o Lucro Presumido foi a escolha de muitas empresas brasileiras. O motivo era simples: tratava-se de um regime fácil de calcular, previsível e, na maioria dos casos, financeiramente vantajoso.
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Bastava aplicar um percentual sobre o faturamento e, com isso, descobrir quanto pagar de IRPJ e CSLL.
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A partir de 2026, porém, essa lógica deixou de ser tão direta. O regime continua existindo e continua simplificado, mas passou a ter um comportamento diferente conforme o faturamento da empresa cresce.
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A nova regra introduziu uma presunção escalonada para empresas maiores, elevando a base de cálculo dos tributos federais sem alterar a alíquota.
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Neste conteúdo da Gestão Inova Contabilidade, você vai entender de forma clara o que mudou, como a nova regra funciona e quais decisões precisam ser reavaliadas para evitar aumento desnecessário de carga tributária.
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O que é o Lucro Presumido e como funciona?
O Lucro Presumido é um regime tributário permitido para empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano. Ele foi criado com o objetivo de simplificar a tributação, dispensando a apuração do lucro contábil real.
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Em vez de calcular receitas menos despesas, o governo determina uma margem padrão de lucro com base na atividade exercida. Essa margem se torna a base para cálculo do IRPJ e da CSLL.
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Veja as alíquotas aplicáveis por tipo de atividade:
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Alíquota base IRPJ no Lucro Presumido
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| Atividades | Alíquota |
| Revenda a varejo de combustíveis e gás natural | 1,60% |
| · Venda de mercadorias ou produtos
· Transporte de cargas · Atividades imobiliárias · Serviços hospitalares · Atividade Rural · Industrialização com materiais fornecidos pelo encomendante · Outras atividades não especificadas (exceto prestação de serviços) |
8 % |
| · Serviços de transporte (exceto o de cargas)
· Serviços gerais com receita bruta até R$ 120.000/ano |
16% |
| · Serviços profissionais
· Intermediação de negócios · Administração, locação ou cessão de bens móveis/imóveis ou direitos · Serviços em geral, para os quais não haja previsão de percentual específico |
32% |
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Alíquota base CSLL do Lucro Presumido
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| Atividades | Alíquota |
| Comércio
Indústria Serviços hospitalares Serviços de transporte |
12,00% |
| Serviços em geral, exceto hospitalares e de transporte
Intermediação de negócios; Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. |
32% |
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Após encontrar a base de cálculo dos impostos, aplica-se 15% para encontrar o IRPJ e 9% para chegar ao valor da CSLL.
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A principal característica sempre foi a previsibilidade: o imposto não depende do lucro real da empresa, mas de uma estimativa legal. Isso permitia ao empresário planejar melhor o fluxo de caixa e crescer dentro do regime sem grandes surpresas.
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Como era o cálculo do Lucro Presumido até 2025
Até o final de 2025, todas as empresas do regime eram tratadas da mesma forma, independentemente do faturamento. A margem de presunção não mudava conforme o crescimento do negócio.
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Uma empresa pequena e uma empresa média aplicavam exatamente os mesmos percentuais.
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Veja o exemplo de uma empresa de serviços faturando R$ 100.000 por mês:
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Base IRPJ: 100.000 × 32% = 32.000
IRPJ: 32.000 × 15% = 4.800
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Base CSLL: 100.000 × 32% = 32.000
CSLL: 32.000 × 9% = 2.880
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Se a empresa dobrasse o faturamento, apenas dobraria o imposto proporcionalmente. Não existia penalidade fiscal pelo crescimento dentro do regime.
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Esse comportamento foi um dos principais motivos para o Lucro Presumido se tornar dominante entre empresas de serviços.
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O que mudou no cálculo do Lucro Presumido em 2026
A nova legislação criou um ponto de corte para empresas maiores. A partir de determinado faturamento, a margem de presunção aumenta sobre a parcela excedente da receita.
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Os limites são:
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- Receita anual superior a R$ 5 milhões
ou - Receita trimestral superior a R$ 1.250.000
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Quando a empresa ultrapassa esse valor, ocorre um aumento de 10% na margem de presunção apenas sobre a parte que exceder o limite.
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É importante destacar: As alíquotas de IRPJ e CSLL continuam iguais, o que muda é a base de cálculo.
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Isso cria um modelo em duas faixas:
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- A parte abaixo do limite mantém a regra antiga
- A parte acima passa a ter base maior
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Consequentemente, o valor final do imposto aumenta.
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Considere uma empresa de serviços com faturamento anual de R$ 6.000.000.
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Antes da nova regra
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- Presunção: 32% sobre tudo
- Base: 1.920.000
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Depois da nova regra
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- Até R$ 5.000.000 → 32%
- Acima de R$ 5.000.000 → 35,2%
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Base nova:
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- 5.000.000 × 32% = 1.600.000
- 1.000.000 × 35,2% = 352.000
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Total: 1.952.000
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Mesmo faturamento, mesma empresa, maior base tributável Em outras palavras, o regime continua existindo, mas deixou de ser linear conforme o crescimento do negócio.
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Ainda vale a pena permanecer no Lucro Presumido?
A resposta passa a depender do estágio da empresa.
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O regime continua vantajoso para:
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- Faturamento abaixo de R$ 5 milhões
- Estruturas enxutas
- Negócios com poucos custos dedutíveis, em caso de opção pelo Lucro Real.
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Mas pode deixar de ser interessante quando:
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- O faturamento cresce
- Há muitos custos dedutíveis, em caso de opção pelo Lucro Real
- A folha de pagamento é relevante
- Existem créditos fiscais aproveitáveis.
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Nesses casos, o Lucro Real passa a competir diretamente com o Presumido, algo que antes raramente acontecia para empresas de serviços.
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Antes, escolher entre o Lucro Presumido e o Lucro Real era quase automático. Agora tornou-se uma decisão estratégica.
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Sem uma boa análise, a empresa pode permanecer anos pagando imposto maior simplesmente por inércia contábil.
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Conclusão
O Lucro Presumido não deixou de existir nem perdeu sua importância. O que mudou foi o comportamento do regime para empresas que faturam acima de R$ 5 milhões.
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A presunção escalonada faz com que o aumento do faturamento também aumente a carga tributária de forma progressiva, mesmo sem alteração de alíquotas. Isso exige uma revisão mais frequente do enquadramento fiscal.
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Empresas que ultrapassam R$ 5 milhões anuais devem reavaliar sua estratégia tributária para evitar perda de margem e crescimento artificial do custo operacional.
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A Gestão Inova Contabilidade pode analisar seu cenário atual, projetar diferentes regimes e indicar o caminho mais eficiente para manter sua empresa saudável financeiramente em 2026 e nos próximos anos.
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